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Disputa presidencial no Irã leva milhares às urnas no país

Milhares de iranianos já compareceram aos colégios eleitorais desde o começo da manhã desta sexta-feira para escolher o próximo presidente do país. A disputa é acompanhada de perto pela comunidade internacional, já que uma derrota do candidato à reeleição Mahmoud Ahmadinejad pode favorecer a reaproximação diplomática entre o país e os Estados Unidos.


Além de Ahmadinejad, outro franco favorito na disputa é o candidato independente reformista Mir Hussein Moussavi.


Os colégios eleitorais abriram as portas às 8h (hora local), em um ambiente de normalidade, e funcionarão por 10 horas com possibilidade de esse período ser prolongado até a meia noite para receber todos os eleitores.


Um dos primeiros a votar foi o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, que chegou à mesquita Imame Khomeini, em Teerã, às 8h10. Cercado por forte esquema de segurança, o líder pediu aos iranianos que compareçam às urnas e elogiou a população, falando que "a consciência política do povo cresceu".


A "consciência política" a que se referia o líder supremo foi exemplificada por longas filas nas sessão eleitorais. "É inacreditável, demorei mais de uma hora para votar. Da última vez não gastei nem cinco minutos", disse à agência Efe Farib Ahari, um estudante de 23 que não revelou quem escolheu como próximo presidente.


Para o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani, o pleito presidencial que acontece hoje no Irã é um dos mais importantes da história do país. Para ele, a disputa merece atenção em função das condições internacionais e regionais, assim como as pressões e a presença das forças estrangeiras ao redor do Irã.


Candidatos


Ahmadinejad apareceu para votar em um dos bairros mais pobres de Teerã, logo pela manhã. Cercado por dezenas de eleitores, o atual presidente demorou para conseguir entrar na sessão eleitoral.


"A escolha decidida e revolucionária do povo conseguirá um futuro cheio de progressos para o Irã", disse o presidente.


Mousavi foi o último dos candidatos a votar hoje. Mais de 46 milhões de iranianos estão convocados para participar no décimo pleito presidencial da era republicana do país.


Segundo o Ministério do Interior, os primeiros resultados finais serão conhecidos 24 horas depois do fechamento dos colégios, embora depois tenham de ser validados pelo poderoso Conselho de Guardiães.


Se nenhum dos quatro candidatos conquistar mais de 50% dos votos hoje, os dois mais votados deverão disputar um segundo turno na próxima sexta-feira. Eleito, o presidente deve tomar posse em setembro.


Desafios


Com o Irã totalmente isolado no cenário internacional e a economia em queda livre, os adversários de Ahmadinejad tinham tudo para disparar na campanha, iniciada em 22 de maio passado, mas, em busca da reeleição, o ultraconservador conseguiu manter o apoio do eleitorado popular que o levou ao poder em 2005.


Para ser reeleito, o presidente aposta no apoio das pessoas que se beneficiam das medidas populares, como empréstimos sem juros, doações em dinheiro e subsídios para os produtos de primeira necessidade. Ao contrário de seus antecessores, que sempre governaram o país a partir da capital, ele percorreu incansavelmente todo o Irã durante quatro anos.


Já Mousavi conta com o apoio de grande parte da juventude nas cidades, onde a reivindicação por liberdades individuais é mais forte. De volta ao cenário político após 20 anos de ausência, o ex-primeiro-ministro Musavi acusa o atual presidente de prejudicar a imagem do Irã no exterior.


No âmbito interno, a economia é a maior fraqueza de Ahmadinejad. Com ele, a inflação no Irã passou de 10% para mais de 25%, e o desemprego está superior a 12%. O fantasma de um gigantesco déficit orçamentário só será afastado se os preços do petróleo voltarem a subir.


Também na disputa e com menos expressividade política que Ahmadinejad, o ex-líder dos Guardiões da Revolução Mohsen Rezai, atacou mais duramente o presidente, questionando seu exercício solitário do poder. "Ahmadinejad criou um vácuo em torno dele, e ninguém se sente seguro por perto", disse, insistindo também na "péssima situação econômica" do país.


 


 


Fonte: AF


 


 


 

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